Você não “tem que” fazer nada

Você não “tem que” fazer nada

Você não “tem que” fazer nada

Antes que esse post termine, eu vou “precisar” lavar os pratos antes de dormir, preparar o almoço de amanhã e terminar o desenho que estou trabalhando. A verdade é que são 9:40 da noite e a única necessidade real do meu corpo no momento atual é talvez meio copo de água, e uma noite de sono, que já está encaminhada e garantida. Eu nem lembro aonde começou, mas a ideia de que a gente “precisa fazer” tal coisa é uma das frases menos construtivas do nosso diálogo interno.

Uma vez, em terapia, eu escutei pela primeira vez o conceito de “se permitir ser, ao invés de ter que fazer“, eu não entendi muito bem de início, mas a cada dia vem fazendo mais sentido. Eu amo cozinhar, a não ser que eu tenha que cozinhar – nesse caso eu não gosto muito, deixa de ser um recurso e passa a ser um peso. Há momentos que eu amo fazer exercício e amo comer bem, há momentos que não, tudo bem, está na natureza humana ser espontâneo.

Eu costumava me perguntar “por que que eu não tenho energia para nada?”, sem perceber que a maior fonte de gasto da minha energia não era o trabalho, não era fazer feira ou pagar conta, mas o esforço que tudo isso envolvia para mim.

Se desprender do esforço não é algo que acontece da noite pro dia, talvez não é algo que possa sequer ser medido, mas definitivamente pode ser sentido. Uma vez que eu comecei a trazer a minha consciência não para as ideias construídas do que eu tinha ou não que fazer, mas para o que o meu próprio corpo estava me comunicando, o meu uso de energia tem mudado bastante.

Eu percebi que a energia de criar, de me mover e me cuidar já existia dentro de mim. Ironicamente, ela estava abafada pelo “tenho que postar no Instagram”, “tenho que me exercitar”, “tenho que desenhar 3 horas por dia”. O dia que eu comecei a notar esses comentários internos e escolhi não escutá-los (mas ainda respeitando que eles fazem parte de mim), foi quando eu decidi fazer aquela aula de yoga, botar aquela ideia no papel e escrever esse post no blog.

Tudo que você precisa, você já tem. Não deixe a ideia de produtividade ofuscar o seu potencial de criação.

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